Cartas à Lua.
Muitas pessoas me veem como sol, mas eu sempre me reconheci mais em você, Lua. Acho que as pessoas nunca sabem de fato quem somos, apenas o que escolhemos mostrar.
É por isso que gosto tanto do seu silêncio.
Você nunca diz tudo, mas faz os outros pensarem, se perguntarem, tentarem decifrar.
E nesse esforço, acabam mergulhando mais fundo,
como quem abre um livro de páginas infinitas.
É graciosa, brilhante, serena. É como o olhar daquela pessoa que conheci, intenso e silencioso, capaz de dizer muito sem falar nada. Esse olhar me fez sentir o mesmo que sinto com você.
Hoje, olhando para você, tão vibrante, eu sinto que me entende.
Meu coração me diz que sim, que você sabe do que falo e do que vivo.
E mesmo sem palavras, sua presença me acolhe.
Às vezes eu queria que você entrasse no meu quarto,
que passássemos a noite inteira em silêncio.
Sua aura me chega em tons de azul claro. Se pudesse estar ao seu lado, não me faltaria calor. Mesmo com sua frieza aparente, sinto calor na sua presença.
Você parece fria, mas perto de você sinto calor.
É como se sua luz bastasse para me aquecer.
E nesse aconchego, descubro que o frio também tem beleza.
O vento gelado no rosto, a roupa quente no corpo,
o arrepio que ao mesmo tempo assusta e conforta.
Aprendi a olhar para esse vento como olho para os meus ventos internos: intensos, às vezes assustadores, mas sempre passageiros.
E assim como o vento, tudo passa.
Obrigada pela companhia, Lua.
Por sorrir para mim.
Quem disse que você não sabe sorrir?
Tamires Liz.
09 Setembro.
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