Não foi o fim, foi o eixo.
Caros leitores, sua escritora favorita está de volta.
Quando comecei a escrever e a compartilhar minhas percepções por aqui, o gesto era simples: colocar para fora ideias, inquietações, perguntas sobre a vida. Comecei de forma amadora, sem grandes pretensões. Com o tempo, esse espaço foi se afinando, e eu passei a perceber algo precioso: pessoas que voltavam, que se reconheciam nos textos, que agradeciam por novas formas de olhar. Isso sempre me moveu.
Em muitos artigos, deixei minha vida pessoal atravessar a escrita. Errei, me expus demais, confundi processos. Hoje entendo: aqueles erros também foram parte da construção. Sem eles, eu não teria chegado até aqui.
Daqui pra frente, escolho seguir de outro modo. Quero separar a Tamires da Liz; a escritora. Não porque me tornei alguém distante ou fria, mas porque aprendi que autonomia também é saber onde colocar cada parte de si. Continuo sendo a mesma mulher sensível, mas agora escrevo com mais consciência, permitindo que a razão dialogue com a emoção e não seja engolida por ela.
Dito isso, não há ruptura com quem sou. Meu coração segue presente.
Sempre me atravessou a forma como as mulheres são ensinadas a caber em lugares estreitos. Eu também tentei. Durante anos idealizei uma grande família, guiada por princípios e valores que acreditava serem meu destino. Com o tempo, compreendi algo maior: minha família é o mundo. São as pessoas, os encontros, o visível e o invisível. Meu amor não cabe apenas em um romance. Ele atravessa ideias, trabalhos, vínculos, criações. E seria um desperdício não devolver isso ao mundo através da minha escrita.
Se deixo um conselho, é simples e honesto: quando atravessamos situações destrutivas, a vida às vezes parece responder com desafios ainda maiores. Isso pode nos roubar a esperança. Mas, quando o olhar amadurece, percebemos que há beleza acontecendo o tempo todo, mesmo quando não é do jeito que imaginamos.
Passei muito tempo perguntando por que certas coisas não davam certo, sem perceber quantas vontades genuínas já haviam se realizado. Hoje entendo que cada caminho cumpre um papel. As grandes dores não vêm para nos destruir, mas para nos convocar a olhar para dentro e para fora com mais responsabilidade.
Não sei se sentimentos como esses um dia deixam de existir. Mas aprendi que, com o tempo, com cuidado consigo mesma, com respeito ao próprio valor e atenção ao que realmente importa, a vida não se torna mais fácil, ela se torna mais honesta. E, assim, passa a ter um gosto meus queridos, muito mais saboroso.
Tamires Liz.
Leitores, a partir de agora minhas publicações passam a acontecer no Substack. Escolhi a plataforma por acreditar que ela acolhe melhor o tipo de escrita que faço.
Espero encontrar vocês por lá.
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